O que a arranha a parcela fina do meu peito é que ainda há o poeta com sua poesia. Ainda há o grito daqueles que lutam, e que desistir não está dentro do Grand Roll das possibilidades de existência. Ainda há, e haja cinismo para que se consiga escondê-lo.
Nós choramos, sentimos o impacto vivo das travas que ai estão para que não se deixe sentir. Sofremos de mal já conhecido, estudado, registrado e carimbado. Sofrer é parte da burocracia vivenceral. O Homem, moribundo que seja, ainda está ai, com sua parafernália de Poder, suas propriedades e identidade – resultado desse ego pequeno-burguês-edipiano, entre a Lei do papai Adão estatizado e tetas flácidas da nossa senhora mãe Eva, encarnação da Justiça.
Enquanto a Poesia for mais bela que sua função, o Revolucionário não fará seu trabalho. Em outras palavras, não se faz revolução enquanto sua poesia existir, só o revolucionário desencantado daquilo que o cria se apodera da possibilidade de transformar.